“POR
QUE OS ADOLESCENTES SE AFASTAM DO SENHOR”?
Uma pesquisa feita pelos alunos da ELA (Escola Líderes de Adolescentes) do
ministério PAVI (Preparando o Adolescente para a Vida) perguntando aos próprios
adolescentes - Por que os adolescentes se
afastam do Senhor? - apresentou as seguintes principais respostas:
1º
- Más amizades
2º
- Atrativos do mundo (baladas, drogas, internet...)
3º
- Namoro (com descrente)
4º
- Decepção na igreja (fofocas, brigas, injustiças...)
5º-
Família (Pais incoerentes, incrédulos...)
Com
base nestas respostas faço algumas reflexões:
1
– Os adolescentes argumentam desculpas e não razões.
Uma primeira leitura nos induz a, solidariamente, receber todas estas respostas
como justificativas aceitáveis para o afastamento, isentando o adolescente de
qualquer responsabilidade.
Mas, após o primeiro impacto passional, ao fazer uma releitura,
percebemos que as respostas são tentativas de defesas, argumentos de desculpas
para a atitude de se afastar. Isso se dá desde o Éden, por intermédio de Adão e
Eva, se desculpando, ou melhor, se “outroculpando”.
“Foi a mulher (1) que Tu (2) me deste... foi a serpente (3)...”.
As razões mais latentes e mais originais de alguém se afastar do Senhor são: O
coração corruptível tendencioso a tudo que é mal e a incredulidade no Senhor e consequentemente
na Sua palavra. Ao invés de desculpas é preciso “mea culpa”. O adolescente se afasta do Senhor por escolha livre e
pessoal. Estas respostas se enquadram como motivos influenciadores (com a
permissão do receptor) e não determinantes.
·
Ilustrando, uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“Eu
me afastei do Senhor porque deixei meu coração, que é duro, me guiar, porque
não confiei na Palavra do Senhor e desconfiei do Seu amor por mim.”
2
– Os adolescentes desconhecem as realidades do mundo e de Deus.
a)
Más amizades – Não há má amizade. Amizade é boa. Inimizade
é mau. O conteúdo da amizade é que pode ser bom ou mau. Dois bandidos são
amigos, mas o conteúdo, o que os torna amigos, é que é mau. De fato o
adolescente que se afasta do Senhor por causa das “más amizades” é porque ele
se identificou com os conteúdos, os valores e as bases desta amizade.
Semelhantemente fala-se em “má influência”, o que também não é real, pois para aquele
que se deixa influenciar, se deixa por ser boa. Seu coração aceitou, recebeu,
absorveu os conteúdos deste amigo. A avaliação como uma má amizade vem de
terceiros, de quem está de fora, mas do ponto de vista do adolescente ela é boa
e sendo boa absorve os valores desta amizade. Maus são os valores deste
adolescente guardados no seu coração e mal foi escolher unir-se com outros
semelhantes. Assim como “a boca fala do que está cheio o coração” assim o
adolescente escolhe suas amizades.
·
Ilustrando uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“De
fato meu coração já estava longe do Senhor e bem chegado aos valores desta
turma. Escolhi andar, me deter e me assentar com eles.”
b)
Atrativos do mundo – Quantos de nós, pais e líderes, concordamos
com esta veemente afirmativa: “O mundo tem muitos atrativos para os
adolescentes!” Até fundamentamos as atividades com os adolescentes nos baseando
nesta aparente verdade. Justificamos imitar, clonar e trazer para o ministério
com os adolescentes valores e conteúdos do mundo. Como esquecemos das
verdades tão cristalinas da Palavra de Deus a respeito do mundo?
“O Mundo inteiro
jaz no maligno” – I Jo 5: 19 (o mundo sistema está enterrado no Diabo)
“Não ameis o
mundo... Pois tudo que há no mundo... não provém do Pai...” I Jo 2: 15-16 (se
não provém do Pai não é bom conteúdo)
“...
costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo...” Ef 2: 2
(enquanto estávamos mortos espiritualmente o mundo atraía)
·
Ilustrando uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“Meu
coração é ignorante, alienado, tem um mau gosto e é infantilizado. Sou atraído
por barulho, luzes, coloridos, doces e sabores. De fato sou um insensato ao
escolher este prato de lentilhas.”
Temos Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e a Sua Palavra. Se estes não
forem os maiores atrativos para os adolescentes estamos perdidos!
b’)
Um adolescente disse: “O mundo tem muito mais a oferecer” –
Como dói o coração ao ouvir esta justificativa para o afastamento do
Senhor. O ponto nevrálgico da dor está no “muito mais”! Sim, o
mundo, que é estruturado por homens e mulheres cegos e separados do Senhor,
oferece suas propostas para o viver. Mas são soluções paliativas, é a síndrome
da “Folhas da Figueira” na tentativa de cobrir a nudez. MUITO MAIS? O mundo tem
muito, mas muito MENOS a oferecer!
Deus Pai ofereceu o Filho para nos salvar, perdoar, redimir, justificar,
renovar, regenerar, resgatar, reconciliar, libertar, saciar, vivificar, transformar
etc. Deus tem muito mais a oferecer!
Alguém (seja adolescente, líder ou pais) que assimila a frase “o mundo tem
muito mais a oferecer” manifesta:
1 –
Desconhecimento das maravilhosas BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS, ou
2 – Infantilismo
na fé, no entendimento das SUPER OFERTAS DO SENHOR para seus filhos, ou
3 – Ilusão com os
encantos deste mundo.
·
Ilustrando uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“Sinto-me
como o filho mais novo da parábola do filho pródigo. Fui tolo e insensato ao
acreditar nas ofertas do mundo e desprezar as bênçãos de estar na casa e com
meu Pai.”
3
– Os adolescentes têm uma identidade externa e não internalizada.
Um
namoro “em jugo desigual” está mais para ser igual. Um rapaz se interessa por
uma moça e vice versa porque há afinidades e igualdades. O desigual se
restringe praticamente a um frequentar uma Igreja evangélica e o outro não. As
demais áreas da vida são bem semelhantes, e é por isso que namoram!
“O que ela(e) vai pensar de mim?” “O que os demais vão pensar se eu não
namorar?”. Estas perguntas manifestam a retórica da defesa para o namoro, mas
latentemente revela uma identidade dependente do outro, terceirizada e submissa
as opiniões externas.
Doze anos! E o Senhor Jesus já tinha uma identidade internalizada (Lucas 2:
42-52), a ponto de confrontar seus pais José e Maria. Jesus construiu sua
identidade de dentro para fora, com doze já sabia quem era: “Filho do Deus
Altíssimo”. Namoro na adolescência é um exemplo de dependência externa para autoafirmação
(de fora para dentro).
“Namorando as pessoas verão que sou homem/mulher.” Mas ainda não é? De fato é o
próprio adolescente que busca em terceiros sua identidade. E isto é um
desastre, pois o jovem fica “nas mãos” do outro, é uma “Maria vai com as
outras” e um “Zé vai com os outros”.
Um namoro com incrédulo não é um motivo para o adolescente se afastar do
Senhor, é mais uma evidência de que já estava afastado, identificando-se mais
com os valores do outro do que com o do Senhor.
·
Ilustrando uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“Meu
interesse por esta garota foi maior do que meu interesse pelo Senhor.”
4
– Os adolescentes confundem Igreja com Senhor Deus.
Você já ouviu?
“Fui
crente! Na minha juventude tive uma decepção lá na Igreja e agora não quero
saber de mais nada!”
O que esta confissão nos revela? Revela que esta pessoa foi crente sim, mas
crente em pessoas e não no Senhor Deus Eterno. Pessoas decepcionam, falham, mas
Deus não.
Semelhantemente os adolescentes seguem este caminho ao depositarem a fé em
líderes, pastores ou qualquer outro cristão. A fé deve estar tão somente no
autor e consumador dela, a saber, o Senhor Jesus.
Parte da Igreja contemporânea na avidez de quantidade, poder e riqueza
hereticamente transfere a salvação em Cristo para a salvação na Igreja. A
Igreja (instituição) é supervalorizada em detrimento da desvalorização da Obra
do Senhor Jesus. A fé que salva está na Igreja “X” e não mais unicamente no
Salvador Senhor Jesus Cristo.
Esta confusão entre Igreja (pessoas e ou organização) e Deus é
verificável na intensidade das relações. Um adolescente pode muito bem estar
envolvido, participativo e compromissado com a Igreja (o que é bom), mas isso
não é sinônimo e nem garantias de estar também compromissado com o Senhor.
Muitos pais, líderes e adolescentes caem nesta ideia de que bem na Igreja bem
com Deus e aí vem a surpresa do afastamento da Igreja que nada mais é um
sintoma do coração já afastado do Senhor.
·
Ilustrando uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“Olhei
para os homens, fui idólatra, deixei de olhar exclusivamente para o
Senhor Jesus.”
5
– Os adolescentes usam os pais como desculpa para se afastar.
É difícil mesmo! Filhos com pais ausentes,
incoerentes e ou pais incrédulos. A família nuclear é base para os
relacionamentos. Apesar de todas estas influências negativas ainda assim o
poder de decisão está com o filho: Imitando os pais e também se rebelando ou
rejeitar os comportamentos dos pais se apegando ao Senhor Jesus.
Interessante! Quando convêm os filhos imitam muito bem seus pais:
“Meu
pai fuma, então também vou fumar!” “Meu pai disse que pegou muitas meninas na
juventude, então também farei isso.”
Onde está o filho que diga:
“Meu
pai orava todos os dias de madrugada, então farei assim também.”
Família
é a maior fonte de influência de um ser humano, mas mesmo assim não
determina as escolhas deste ser humano. Deus Pai “educou” seus filhos Adão e
Eva! Que educação! Que influência! Mas quem determinou a escolha de obedecer e
confiar no Pai foram os filhos. Bom, a escolha já sabemos qual foi!
·
Ilustrando uma resposta mais adequada de um
adolescente:
“Espertamente
me apoiei nos erros dos meus pais para dar vasão aos meus.”
CONCLUSÃO
Por que os adolescentes se afastam do Senhor? Porque eles são humanos como eu e
você, pecadores com coração amante de si mesmo e do mundo. Só com
quebrantamento, transformação, novo coração, negando-se a si mesmo e carregando
a Cruz a trajetória muda de afastamento para aproximação com o Senhor.
De Wanderley
Rangel Filho – www.pavi.psc.br - Extraído do
site do PAVI e postado no blog com autorização do autor. Acesso em março/2012.





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