quarta-feira, 28 de março de 2012

“POR QUE OS ADOLESCENTES SE AFASTAM DO SENHOR”?


“POR QUE OS ADOLESCENTES SE AFASTAM DO SENHOR”?
     Uma pesquisa feita pelos alunos da ELA (Escola Líderes de Adolescentes) do ministério PAVI (Preparando o Adolescente para a Vida) perguntando aos próprios adolescentes - Por que os adolescentes se afastam do Senhor? - apresentou as seguintes principais respostas:

1º - Más amizades
2º - Atrativos do mundo (baladas, drogas, internet...)
3º - Namoro (com descrente)
4º - Decepção na igreja (fofocas, brigas, injustiças...)
5º- Família (Pais incoerentes, incrédulos...)
     Com base nestas respostas faço algumas reflexões:
1 – Os adolescentes argumentam desculpas e não razões.
     Uma primeira leitura nos induz a, solidariamente, receber todas estas respostas como justificativas aceitáveis para o afastamento, isentando o adolescente de qualquer responsabilidade.
     Mas, após o primeiro impacto passional, ao fazer uma releitura, percebemos que as respostas são tentativas de defesas, argumentos de desculpas para a atitude de se afastar. Isso se dá desde o Éden, por intermédio de Adão e Eva, se desculpando, ou melhor, se “outroculpando”. “Foi a mulher (1) que Tu (2) me deste... foi a serpente (3)...”.
     As razões mais latentes e mais originais de alguém se afastar do Senhor são: O coração corruptível tendencioso a tudo que é mal e a incredulidade no Senhor e consequentemente na Sua palavra. Ao invés de desculpas é preciso “mea culpa”. O adolescente se afasta do Senhor por escolha livre e pessoal. Estas respostas se enquadram como motivos influenciadores (com a permissão do receptor) e não determinantes.
·         Ilustrando, uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Eu me afastei do Senhor porque deixei meu coração, que é duro, me guiar, porque não confiei na Palavra do Senhor e desconfiei do Seu amor por mim.”
2 – Os adolescentes desconhecem as realidades do mundo e de Deus.
a) Más amizades – Não há má amizade. Amizade é boa. Inimizade é mau. O conteúdo da amizade é que pode ser bom ou mau. Dois bandidos são amigos, mas o conteúdo, o que os torna amigos, é que é mau. De fato o adolescente que se afasta do Senhor por causa das “más amizades” é porque ele se identificou com os conteúdos, os valores e as bases desta amizade.
     Semelhantemente fala-se em “má influência”, o que também não é real, pois para aquele que se deixa influenciar, se deixa por ser boa. Seu coração aceitou, recebeu, absorveu os conteúdos deste amigo. A avaliação como uma má amizade vem de terceiros, de quem está de fora, mas do ponto de vista do adolescente ela é boa e sendo boa absorve os valores desta amizade. Maus são os valores deste adolescente guardados no seu coração e mal foi escolher unir-se com outros semelhantes. Assim como “a boca fala do que está cheio o coração” assim o adolescente escolhe suas amizades.
·         Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“De fato meu coração já estava longe do Senhor e bem chegado aos valores desta turma. Escolhi andar, me deter e me assentar com eles.”
b) Atrativos do mundo – Quantos de nós, pais e líderes, concordamos com esta veemente afirmativa: “O mundo tem muitos atrativos para os adolescentes!” Até fundamentamos as atividades com os adolescentes nos baseando nesta aparente verdade. Justificamos imitar, clonar e trazer para o ministério com os adolescentes valores e conteúdos do mundo. Como  esquecemos das verdades tão cristalinas da Palavra de Deus a respeito do mundo?
“O Mundo inteiro jaz no maligno” – I Jo 5: 19 (o mundo sistema está enterrado no Diabo)
 “Não ameis o mundo... Pois tudo que há no mundo... não provém do Pai...” I Jo 2: 15-16 (se não provém do Pai não é bom conteúdo)
 “... costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo...” Ef 2: 2 (enquanto estávamos mortos espiritualmente o mundo atraía) 
·         Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Meu coração é ignorante, alienado, tem um mau gosto e é infantilizado. Sou atraído por barulho, luzes, coloridos, doces e sabores. De fato sou um insensato ao escolher este prato de lentilhas.”
     Temos Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e a Sua Palavra. Se estes não forem os maiores atrativos para os adolescentes estamos perdidos! 
b’) Um adolescente disse: “O mundo tem muito mais a oferecer” –  Como dói o coração ao ouvir esta justificativa para o afastamento do Senhor. O ponto nevrálgico da dor está no “muito mais”! Sim, o mundo, que é estruturado por homens e mulheres cegos e separados do Senhor, oferece suas propostas para o viver. Mas são soluções paliativas, é a síndrome da “Folhas da Figueira” na tentativa de cobrir a nudez. MUITO MAIS? O mundo tem muito, mas muito MENOS a oferecer!
     Deus Pai ofereceu o Filho para nos salvar, perdoar, redimir, justificar, renovar, regenerar, resgatar, reconciliar, libertar, saciar, vivificar, transformar etc. Deus tem muito mais a oferecer!
     Alguém (seja adolescente, líder ou pais) que assimila a frase “o mundo tem muito mais a oferecer” manifesta:
1 – Desconhecimento das maravilhosas BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS, ou
2 – Infantilismo na fé, no entendimento das SUPER OFERTAS DO SENHOR para seus filhos, ou
3 – Ilusão com os encantos deste mundo. 
·         Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Sinto-me como o filho mais novo da parábola do filho pródigo. Fui tolo e insensato ao acreditar nas ofertas do mundo e desprezar as bênçãos de estar na casa e com meu Pai.”
3 – Os adolescentes têm uma identidade externa e não internalizada.
     Um namoro “em jugo desigual” está mais para ser igual. Um rapaz se interessa por uma moça e vice versa porque há afinidades e igualdades. O desigual se restringe praticamente a um frequentar uma Igreja evangélica e o outro não. As demais áreas da vida são bem semelhantes, e é por isso que namoram!
    “O que ela(e) vai pensar de mim?” “O que os demais vão pensar se eu não namorar?”. Estas perguntas manifestam a retórica da defesa para o namoro, mas latentemente revela uma identidade dependente do outro, terceirizada e submissa as opiniões externas.
     Doze anos! E o Senhor Jesus já tinha uma identidade internalizada (Lucas 2: 42-52), a ponto de confrontar seus pais José e Maria. Jesus construiu sua identidade de dentro para fora, com doze já sabia quem era: “Filho do Deus Altíssimo”. Namoro na adolescência é um exemplo de dependência externa para autoafirmação (de fora para dentro).
     “Namorando as pessoas verão que sou homem/mulher.” Mas ainda não é? De fato é o próprio adolescente que busca em terceiros sua identidade. E isto é um desastre, pois o jovem fica “nas mãos” do outro, é uma “Maria vai com as outras” e um “Zé vai com os outros”.
      Um namoro com incrédulo não é um motivo para o adolescente se afastar do Senhor, é mais uma evidência de que já estava afastado, identificando-se mais com os valores do outro do que com o do Senhor.
·         Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Meu interesse por esta garota foi maior do que meu interesse pelo Senhor.”
4 – Os adolescentes confundem Igreja com Senhor Deus.
     Você já ouviu?
“Fui crente! Na minha juventude tive uma decepção lá na Igreja e agora não quero saber de mais nada!”
     O que esta confissão nos revela? Revela que esta pessoa foi crente sim, mas crente em pessoas e não no Senhor Deus Eterno. Pessoas decepcionam, falham, mas Deus não.
     Semelhantemente os adolescentes seguem este caminho ao depositarem a fé em líderes, pastores ou qualquer outro cristão. A fé deve estar tão somente no autor e consumador dela, a saber, o Senhor Jesus.
     Parte da Igreja contemporânea na avidez de quantidade, poder e riqueza hereticamente transfere a salvação em Cristo para a salvação na Igreja. A Igreja (instituição) é supervalorizada em detrimento da desvalorização da Obra do Senhor Jesus. A fé que salva está na Igreja “X” e não mais unicamente no Salvador Senhor Jesus Cristo.
     Esta confusão entre Igreja (pessoas e ou organização) e Deus é verificável na intensidade das relações. Um adolescente pode muito bem estar envolvido, participativo e compromissado com a Igreja (o que é bom), mas isso não é sinônimo e nem garantias de estar também compromissado com o Senhor. Muitos pais, líderes e adolescentes caem nesta ideia de que bem na Igreja bem com Deus e aí vem a surpresa do afastamento da Igreja que nada mais é um sintoma do coração já afastado do Senhor.
·         Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Olhei para os homens, fui idólatra, deixei de olhar  exclusivamente para o Senhor Jesus.”
5 – Os adolescentes usam os pais como desculpa para se afastar.
      É difícil mesmo! Filhos com pais ausentes, incoerentes e ou pais incrédulos. A família nuclear é base para os relacionamentos. Apesar de todas estas influências negativas ainda assim o poder de decisão está com o filho: Imitando os pais e também se rebelando ou rejeitar os comportamentos dos pais se apegando ao Senhor Jesus.
     
     
 Interessante! Quando convêm os filhos imitam muito bem seus pais:
“Meu pai fuma, então também vou fumar!” “Meu pai disse que pegou muitas meninas na juventude, então também farei isso.”
     Onde está o filho que diga:
“Meu pai orava todos os dias de madrugada, então farei assim também.”
     Família é a maior fonte de  influência de um ser humano, mas mesmo assim não determina as escolhas deste ser humano. Deus Pai “educou” seus filhos Adão e Eva! Que educação! Que influência! Mas quem determinou a escolha de obedecer e confiar no Pai foram os filhos. Bom, a escolha já sabemos qual foi!
·         Ilustrando uma resposta mais adequada de um adolescente:
“Espertamente me apoiei nos erros dos meus pais para dar vasão aos meus.”
CONCLUSÃO
     Por que os adolescentes se afastam do Senhor? Porque eles são humanos como eu e você, pecadores com coração amante de si mesmo e do mundo. Só com quebrantamento, transformação, novo coração, negando-se a si mesmo e carregando a Cruz a trajetória muda de afastamento para aproximação com o Senhor.

De Wanderley Rangel Filho – www.pavi.psc.br - Extraído do site do PAVI e postado no blog com autorização do autor. Acesso em março/2012.

Nenhum comentário:

Postar um comentário